12 Janeiro 2011

Vegetarianismo

Há muito de estereótipos quando se fala em vegetarianismo, ou as pessoas te vêem como uma natureba ou como uma militante da causa dos direitos dos animais. Eu não sou nem uma coisa e nem outra. Não gosto de colocar carnívoros x vegetarianos numa relação maniqueísta, de quem é o bonzinho amante dos animais e o monstro devorador de bichinhos indefesos.

Eu decidi me tornar vegetariana principalmente quando assisti o filme Ponto de Mutação, baseado no livro de mesmo nome de Fritjof Capra (aliás, ótimo autor, recomendo muitíssimo). Nele, uma personagem fala sobre a devastação das florestas tropicais causado pela pecuária comercial de animais de corte, principalmente bovinos. Me senti muito contraditória por ser uma ambientalista que come carne, decidi parar e pronto.

No entanto, não existe ninguém nesse mundo que salve todos os animais da crueldade, não existe vivência na nossa sociedade moderna que não impacte vidas de animais. Afinal, usar sapatos de borracha, plástico também impacta ecossistemas e, consequentemente vidas animais.


O que podemos fazer é minimizar o número de animais/vegetais impactados pela nossa vivência na Terra. Por isso, prefiro ser pragmática. Por exemplo, não tenho nenhum produto de couro animal, mas penso que comprar um sapato de couro sintético que se estraga em um ou dois meses de uso acaba por impactar ainda mais o meio ambiente do que se eu tivesse um ou dois sapatos de couro com muita qualidade para durar anos. Que sapatos de plástico são produtos derivados do petróleo destroem muitos ecossistemas marinhos (vide o desastre da British Petroleum).


Sou vegetariana porque eu tenho a opção de ser. Moro em uma cidade onde opções para a carne são muitas, se eu morasse no sertão provavelmente não seria. Não vejo razão para continuar a comer carne quando eu posso comer coisas gostosas sem precisar financiar o gado bovino de corte. Mas não posso dizer que sou vegetariana porque tenho dó dos animais, porque se eu tivesse mesmo, não comeria ovos e laticínios que também são responsáveis pela morte de vários animais, afinal, o que a granja faz com os pintinhos machos? Matam. O que os produtores de laticínios fazem com os bezerros machos? Encaminham para a criação de corte.

Por tudo isso, eu jamais seria uma vegetariana militante, mas claro que eu incentivo. Se alguém vem me dizer que quer se tornar vegetariano, dou a maior força, dou dicas, receitas (algumas). No entanto tem algumas coisas que me irritam nos onívoros, espero que me perdoem por expressar isso, se você for um deles.


Me irrita quando falam: eu como carne, mas não teria coragem de matar um animalzinho. Desculpe, mas o sangue daqueles animais estão na sua mão também. E na minha, lembra dos pintinhos? Para algumas pessoas, pensar assim alivia um pouco a culpa, mas acho fraqueza. Eu sei da culpa que tenho ao consumir laticínios e tenho reduzido bastante o uso desses produtos, mas ainda não tirei o sangue desse animais das minhas mãos.


Não tenho coragem de comer coelho, porque são tão bonitinhos. Tadinho do boi que é feio, né? Acho que certos animais de estimação que são culturalmente valorizados como companhia, não se tornam palatáveis, mas é hipocrisia sim, comer os "feios" e livrar os "bonitos". Ninguém é melhor ou pior porque come ou deixa de comer um cachorro ou um boi.


Tentam dar mil justificativas como: mas desde as cavernas o homem come carne. Ok, culturalmente e pelo seu paladar você quer continuar comendo carne? Tudo bem, mas não estamos mais nas cavernas, naquela época conseguir alimentos era muito mais difícil e se a carne deu muitas proteínas para o desenvolvimento do corpo humano, hoje temos uma variedade de produtos vegetais à nossa disposição, originários de várias partes do globo e suplementos sintéticos que podem suprir as proteínas animais. Especialmente em centros urbanos.


Mas e a alface, tadinha também é um ser vivo. Eu logo percebo que quem diz isso, sente tanta culpa por comer carne que quer de alguma forma me tornar culpada também, para essas pessoas, eu digo o que já escrevi: a nossa vivência causa impacto na vida animal e vegetal, para acabar com isso só se eu morresse, e como eu pretendo sobreviver, eu continuo impactando, sou culpada.


Agora uma coisa que eu nunca fiz, foi apontar para alguém e dizer x ou y porque ela está comendo carne, mas sempre tem um@ chat@ que vem me encher o saco porque eu não como. E sempre é tentando justificar o fato de EL@ estar comendo, como se eu estivesse @ acusando de alguma coisa. Com quem eu conheço isso já não acontece mais, mas é só chegar alguém novo que o assunto começa e nunca sou eu quem dá o primeiro passo.


Um grande exemplo de como o fato de outras pessoas comerem carne não me interessa, é que quando eu comecei a namorar o Roni, ele comia carne, ele já tinha tido uma namoradinha vegetariana e já estava meio por dentro do assunto. A única coisa que eu disse pra ele é que eu não prepararia carne pra ele, mas até fritei um hamburguer em um dia que ele estava na correria com um trabalho da faculdade, de resto, pra mim estava tudo ok. Até que um dia, por vontade própria, ele parou também, há três anos. Quando ele disse que iria parar, claro que eu incentivei, mas se ele dissesse depois que queria voltar a comer, eu nem lamentaria, seria uma opção dele, mas isso não aconteceu e hoje somos um casal vegetariano.


Para finalizar com a pergunta clássica dos enchedores de saco: "Se você estivesse num lugar onde não tem nada pra comer, com fome, e aparecesse um coelho, você mataria o animal e o comeria?"


Sim, eu o mataria e o comeria. Pronto, também sou má.

2 comentando:

vida cotidiana disse...

Eu como carne esporadicamente, quase nunca, esqueço dela. Mas se estivesse com fome só tivesse um coelho para comer, lógico que comeria o coelho, sobrevivência né!!!

Anônimo disse...

Texto prazeroza neste espaço, reflexôes deste modo destacam aos que analisar neste blog :)
Faz mais de este blogue, a todos os teus visitantes.